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As variantes que os cientistas têm debaixo de olho

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Desde que se tornaram claros os “estragos” que altamente infecciosa Delta é capaz de fazer nos planos de desconfinamento e nas contas para a imunidade de grupo, aumentou ainda mais a preocupação mundial com as variantes do SARS-CoV-2

Ainda concentrados na Delta, a variante mais transmissível do coronavírus, até agora, e que, de acordo com o relatório epidemiológico divulgado pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) no domingo, representa já quase 90% das 2,6 milhões de amostras do coronavírus no mundo, os cientistas estão já a investigar novas variantes que podem substituí-la neste protagonismo.

Em Portugal, de acordo com o “Relatório de situação sobre diversidade genética do SARS-CoV-2 em Portugal” do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, da terça-feira da semana passada, esta estirpe tem uma prevalência acima dos 95% em todas as regiões do país, sendo de 100% no Norte, no Algarve e na Madeira.

Variante Delta

Detetada pela primeira vez na Índia, esta é considerada uma “variante de preocupação” pela Organização Mundial de Saúde (OMS), uma vez que demonstrou ser capaz de aumentar a transmissibilidade, causar doença mai grave e reduzir o benefício de vacinas e tratamentos.

A sua alta transmissibilidade – considerada a “superpotência” da Delta, por Shane Crotty, virologista do Instituto de Imunologia de La Jolla, em San Diego (EUA) -, dá ao sistema imunitário menos tempo para responder e montar uma defesa. Enquanto que na mutação original o coronavírus demora sete dias a causar sintomas, na estirpe Delta é dois ou três dias mais rápido.

Além disso, também esta variante parece estar a sofrer uma maior mutação, com o surgimento de relatos de uma variante “Delta Plus”, detetada, de acordo com a Outbreak.info – base de dados de código aberto Covid-19 -, em pelo menos 32 países. Ainda não há certezas se é mais perigosa, daí ainda não ser considerada variante de preocupação pela OMS.

Variante Lambda

Esta estirpe, identificada pela primeira vez em dezembro, no Peru, está agora classificada como “variante de interesse” pela OMS, o que significa que pode causar uma mudança na transmissibilidade ou uma doença mais grave, mas ainda está sob investigação.

A Lambda tem mostrado um recuo na transmissibilidade, com a percentagem de novos casos a diminuir, de acordo com o GISAID – base de dados que rastreia as variantes SARS-CoV-2. Além disso, William Schaffner, especialista em doenças infeciosas, refere que as vacinas estão a resistir bem a esta variante, embora transporte mutações que podem ser resistentes.

Segundo o relatório do INSA, não se detetaram novos casos desta variante, com uma circulação acentuada nas regiões do Peru e do Chile.

B.1.621

Considerada “variante de interesse” pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, a B.1.621, surgiu pela primeira vez na Colômbia, em janeiro, e transporta várias mutações chave, incluindo as E484K, N501Y e D614G, ligadas ao aumento da transmissibilidade e à redução da proteção imunitária.

Apresenta ainda uma baixa frequência em Portugal, com uma percentagem de deteção abaixo de 0,8% desde a semana 25 (21 a 27 de junho), de acordo com o INSA.

Há mais variantes a caminho?

Os especialistas alertam, no entanto, que a livre circulação que o vírus tem em países, sobretudo do Sudeste Asiático e de África, com taxas mínimas de vacinação, pode facilitar o surgimento de variantes ainda mais perigosas, mais transmissíveis e mais infecciosas.

As atenções devem virar-se, por isso, para uma maior distribuição internacional de doses de vacinas pelos países mais pobres, ao mesmo tempo que os mais desenvolvidos e com maior população devem acelerar o ritmo de vacinação, visto que basta um grande grupo de pessoas não estar vacinada para dar ao vírus mais oportunidades de se propagar e sofrer uma mutação em novas variantes.

fonte: https://visao.sapo.pt/visaosaude/2021-08-10-as-variantes-que-os-cientistas-tem-debaixo-de-olho/