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A imunidade de grupo pode simplesmente não acontecer

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Vista como uma luz ao fundo do túnel, a imunidade de grupo é um desejo mundial que pode não ser concretizado num futuro tão próximo, ou mesmo não chegar a verificar-se, defendem agora os especialistas. O termo poderá mesmo deixar de ser utilizado

Desde que a pandemia de covid-19 começou, em 2020, que tem sido um desejo mundial alcançar a imunidade de grupo, isto é, a proteção contra a doença, definida, normalmente, pela vacinação de 70% da população. Passado mais de um ano, e com as estimativas feitas de quando será atingida em cada país, sendo a de Portugal prevista para este verão, os especialistas dizem que esta meta poderá não ser uma realidade… de todo.

“É pouco provável que o vírus desapareça”, diz Rustom Antia, ao The New York Times. O especialista em biologia evolutiva da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, defende que, no futuro, apenas podemos esperar que se faça os possíveis para que seja uma infeção menos mortífera. “O que queremos, no mínimo, é chegar a um ponto em que tenhamos pequenos surtos esporádicos”, acrescenta Carl Bergstrom, especialista em biologia evolutiva da Universidade de Washington.

A novas variantes, que se têm mostrado mais contagiosas e devastado países como a Índia e o Brasil, são o que levam os especialistas a duvidar que possa existir brevemente a tão desejada imunidade de grupo. Também a vacinação a nível mundial não está a decorrer à velocidade necessária para eliminar o vírus, permitindo-lhe continuar a alastrar-se, fazendo com que a pandemia se possa mesmo tornar endémica, isto é, uma doença que fica, como acontece com por exemplo com o HIV.

“Esta é a progressão natural de muitas infeções que temos nos seres-humanos, quer seja com a tuberculose ou o HIV. Tornaram-se endémicas e tivemos de aprender a viver com elas”, recorda, ao The New York Times, David Heymann médico epidemiologista de doenças infeciosas e professor na London School of Hygiene.

A preocupação que o uso do termo imunidade de grupo desse a uma falsa sensação de esperança tem levado alguns especialistas a abandoná-lo. Anthony Fauci, médico imunologista e conselheiro da Casa Branca, é um deles. “As pessoas estavam a ficar confusas e a pensar que nunca mais iriam ficar infetadas quando chegassem a este nível mítico da imunidade de grupo. É por isso que deixamos de usar o termo no seu sentido clássico”, explica.

Também a percentagem de vacinados/infetados com a qual se deveria chegar à imunidade de grupo tem sido alvo de várias discussões. Tendo sido primeiramente estabelecida nos 60%, este está agora nos 70%, e debate-se se será ainda necessário aumentá-lo, havendo especialistas a apontar para os 80 por cento. Em Portugal, também Luis Graça, médico imunologista e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, afirmou que o número poderia ter de ser revisto: “70% é uma boa estimativa, com base nos dados conhecidos até à data, mas pode ser revista, de acordo com as incertezas”, disse. David Morens, médico virologista e conselheiro sénior de Fauci, defende que a imunidade de grupo poderá depender de onde se vive, devido a vários fatores como aglomeração populacional, comportamento humano, níveis sanitários, entre outros.  

A imunidade de grupo depende ainda de uma vacinação mundial e não de cada país. E esta nunca será atingida enquanto países mais pobres, como a Índia possuírem menos de 2% da população vacinada ou a África do Sul que apenas tem 1 por cento.

fonte: https://visao.sapo.pt/atualidade/2021-05-11-a-imunidade-de-grupo-pode-simplesmente-nao-acontecer/

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