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Covid-19: A vacinação está a resultar? O que nos diz a realidade

Com vários países do mundo a vacinar em massa contra a covid-19 e a atingir elevadas taxas de vacinação, como é o caso de Portugal que já tem mais de metade da população totalmente vacinada, chega o momento de a realidade nos dizer se as vacinas estão efectivamente a ter resultado no combate à pandemia.

Há novas variantes, a vacinação está a correr de forma muito desigual no mundo e há países, como os Estados Unidos ou Israel, que apesar de elevadas taxas de vacinação estão a dar um passo atrás nas restrições como o uso de máscara depois de a variante Delta se ter tornado dominante.

Por outro lado, há outros que começam a libertar a sociedade, sendo o Reino Unido o grande exemplo do pontapé de saída para o período pós-pandemia, mas as regras e restrições diferem de país para país e fazem instalar dúvidas sobre o sucesso da estratégia de vacinação junto da população.

Mas vamos então aos factos. A Bloomberg reúne um conjunto de respostas sobre o que se passa na realidade.

As vacinas são mesmo eficazes?

As vacinas contra a covid-19 apresentam uma elevada taxa de eficácia na proteção contra hospitalização e morte, mas não são perfeitas e não impedem que contraia e transmita o vírus. Cientistas de Taiwan concluíram que por cada aumento de 10% na cobertura vacinal da população está associada uma redução de 7,6% na taxa de mortalidade.

A maioria das vacinas também fornece uma proteção muito elevada contra o desenvolvimento de sintomas da doença e algumas são capazes de fornecer proteção contra a infecção pelo vírus.

Esta capacidade de evitar a infecção era válida nas primeiras variantes do vírus, mas estudos recentes demonstraram que as pessoas vacinadas e que estejam infetadas com a variante Delta podem ser tão contagiosas como as pessoas não vacinadas, mesmo que não tenham sintomas, anaunicou o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Há vacinas melhores do que outras?

As conclusões sobre a eficácia das diferentes vacinas acabam por ser de certa forma distorcidas e desiguais, já que a maioria dos estudos e dados são fornecidos por Israel, EUA e o Reino Unido, limitando as conclusões às vacinas da AstraZeneca e da Pfizer, escreve a Bloomberg. Os dados para as vacinas Sputnik V ou Sinopharm são muito mais limitados, por exemplo.

Além disso, a Organização Mundial de Saúde alerta que nem todos os estudos que são publicados têm a mesma qualidade, critérios e credibilidade

Os níveis de eficácia estimados a partir de ensaios clínicos não são necessariamente comparáveis porque cada estudo de vacina usou diferentes regimes e medições. Além disso, foram realizados em diferentes grupos de pessoas e em momentos diferentes, quando diferentes variantes eram prevalentes.

Ainda assim, há uma conclusão para lá dos ensaios clínicos que se sobrepõe: as vacinas estão a prevenir hospitalizações e mortes no mundo real.

Esta abordagem desigual nos estudos às diferentes vacinas deixa transparecer que existem vacinas de qualidade superior.

Por enquanto, as vacinas de tecnologia mRNA (Moderna e Pfizer) parecem ser as melhores. Além disso, misturar as vacinas (a maioria requer duas injeções) parece gerar uma resposta imune mais robusta. Os médicos defendem, porém, que a melhor vacina é aquela que está disponível onde estivermos, pois qualquer proteção é melhor do que nenhuma.

A proteção da vacina dura quanto tempo?

A resposta a esta pergunta só o tempo a dará. Um estudo de investigadores da Pfizer (ainda não publicado) que acompanharam pessoas vacinadas ao longo de seis meses verificou uma tendência de declínio gradual na eficácia da vacina contra uma infecção sintomática, mas o dado mais importante é que permaneceu “altamente eficaz”, escreve a Bloomberg.

A eficácia atingiu um pico de 96,2% dois meses após a segunda dose e diminuiu gradualmente para 83,7% em quatro meses e, em seguida, em uma média de 6% a cada dois meses. É preciso acompanhar estes dados para entender a necessidade de reforços e eventuais terceiras doses. Israel deu um passo à frente e já está a administrar terceiras doses.

Novas variantes colocam em causa a eficácia das vacinas?

Depende. A variante Delta é a mais preocupante detetada até agora e veio baralhar as estratégias de libertação de sociedade que já estavam em andamento em vários países. Duas vezes mais transmissível do que a variante original do vírus que desencadeou a pandemia, rapidamente ficou dominante.

Estudos britânicos concluíram que a Delta é mais resistente às vacinas do que a variante Alpha, a variante inglesa que levou Portugal no início do ano a atingir recordes de número de casos e de mortes.

A redução na eficácia da vacina causada pela Delta pode variar de acordo com cada vacina, mas os estudos estão ainda a decorrer. A vacina da Pfizer demonstrou ser mais eficaz do que a da AstraZeneca, de acordo com um estudo publicado no New England Journal of Medicine, citado pela Bloomberg.

Porque é que a Delta está a conseguir ‘furar’ as vacinas?

As vacinas reduzem a concentração de partículas virais, ou carga viral, nas vias respiratórias de pessoas infectados. Mas a Delta está associada a cargas virais 1.200 vezes maiores, em comparação com a variante original do coronavírus, propagando-se tão facilmente quanto a varicela, como concluiu o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC).

O CDC também considerou a Delta mais propensa a ‘furar’ a imunidade induzida pela vacina, concluindo que pode causar doença mais grave do que todas as outras formas do vírus.

fonte: https://multinews.sapo.pt/atualidade/covid-19-a-vacinacao-esta-a-resultar-o-que-nos-diz-a-realidade/

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